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Prefeitura estuda tarifa mais alta para ônibus com ar-condicionado

Prefeitura estuda tarifa mais alta para ônibus com ar-condicionado

Motorista enfrenta o calor em ônibus sem ar-condicionado - Fabiano Rocha/02-01-2017 / Agência O Globo

RIO - Alvo de ações na Justiça há pelo menos um ano, a tarifa dos ônibus municipais está passando por novo estudo na prefeitura do Rio, que agora quer cobrar valores diferentes para quem embarcar em veículos com e sem ar-condicionado. A proposta, segundo o “RJ-TV”, da Rede Globo, é do próprio prefeito Marcelo Crivella, numa tentativa de resolver o impasse com as empresas de transporte e, ainda, forçá-las a climatizar toda a frota. Sem data para ser implementada, a medida não agradou ao sindicato que representa o setor, que diz ter recebido a notícia com perplexidade. De acordo com o Rio Ônibus, o anúncio desrespeita o contrato de concessão do serviço e pode aumentar a desigualdade social.

Devido ao fechamento recente de empresas, o Rio Ônibus não tem um número atualizado da frota, mas afirma que 50% dos carros estão refrigerados. No entanto, em julho passado, reportagem do GLOBO mostrou que mais da metade (54,3%) dos coletivos continuavam “quentões”: de 7.240 veículos, 3.928 não tinham ar. Presidente do sindicato, Claudio Callak espera que o prefeito reavalie a decisão:

— Essa proposta é um tiro no pé. A ideia de climatizar os ônibus foi uma demagogia. Não fomos chamados na época, foi uma iniciativa do ex-prefeito Eduardo Paes. E agora novamente não fomos consultados, não há um estudo técnico sobre o assunto — disse Callak, que sugere que haverá segregação nos ônibus: — O patrão não vai querer pagar a tarifa mais cara. Quanto mais necessitado o usuário, maior a chance de ele só andar no ônibus sem ar.

Até 2013, o Rio praticava tarifas diferentes para ônibus municipais com e sem refrigeração. Em junho daquele ano, Paes publicou decreto reajustando as tarifas em 7,2% (de R$ 2,75 para 2,95) e acabando com a diferença nos valores. A medida era uma tentativa de o Rio cumprir uma das metas do Plano Estratégico, que previa refrigerar toda a frota até a Olimpíada de 2016. Na época, dos 9 mil coletivos, 800 contavam com ar.

OBRIGAÇÃO DESRESPEITADA

Em nota, o promotor da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva do Direito do Consumidor, Rodrigo Terra, informou que a climatização da frota deveria ter sido financiada com a antecipação de receita referente ao acréscimo de R$ 0,20 na tarifa, ocorrido em janeiro de 2015: “Mesmo assim, as empresas descumpriram a obrigação e estão respondendo na Justiça por isso”, diz. “A tarifa diferenciada não resolve o problema central da situação dos ônibus do Rio que já dura mais de duas décadas”, afirma outro trecho da nota.

 

Fonte:  https://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-estuda-tarifa-mais-...